
É adequado que se fale do jogo a partir do Fluminense. Primeiro, porque a derrota não diz nada ao Inter, era um prejuízo já lançado, esperava-se poder não perder, mas não se pôde e tudo bem. Depois, porque o fato de o adversário ter entrado com os reservas não desmerece a vitória tricolor. Um time com Renan, Eller, Tinga, Andrezinho e Sóbis fica, no mínimo, na linha média do campeonato.
Tanto o Inter deste domingo pedia respeito que quase saiu na frente, em chute de Andrezinho para grande intervenção de Fernando Henrique. Mas foi tudo e foi pouco. Logo o Fluminense impôs o seu jogo, essa imposição de estocadas que derruba o oponente, como estacas que prendem os armadores contrários em seu próprio campo.

A partir de Conca são inúmeras possibilidades. Guardado e coadjuvado por Diguinho, ele avança e pode ir pelos próprios pés, pode armar a Emerson ou Washington, pode enviesar o passe a um dos alas. Mas os alas também sabem ser multifuncionais, como fez Mariano, desceu como ala, cortou como meia, chutou como atacante: Flu um a zero. Não faça pausa na leitura, sem tempo para respirar, Conca bateu um escanteio na cabeça de Washington. A cabeçada saiu um chute: Flu dois a zero.
Este é o Fluminense. Deixa o adversário atordoado, faz os gols, e depois tem todo o tempo e o campo do mundo para desenhar seus contra-ataques. É uma equação: Conca tem o passe, mas o passe mesmo, como dizia Didi, a bola enfiada onde corre o atacante e aonde não chega o beque. Emerson tem o arranque exato, aquele que explode antes do zagueiro e termina no toque na saída na goleiro. Conca mais Emerson, quem é que segura? Flu três a zero, quarto do gol do Sheik em quatro jogos.
Pensando bem, esse time do Fluminense lembra mesmo Didi, que também dizia, sobre a bola: “Tinha por ela um carinho tremendo. Porque ela é fogo. Se você a maltratar, quebra a perna. É por isso que digo: – Rapazes, vamos, respeitem. Esta é uma menina que tem que ser tratada com muito amor. Conforme o lugarzinho em que nós a tocarmos, ela toma um destino”.
É bom o destino da bola que passa pelos pés de Conca, que quase fez um gol de placa após um drible a la Messi. É bom o destino da bola, e de quem dá a bola neste campeonato brasileiro, o Fluminense de Muricy. Didi sabia mesmo das coisas.
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