
O futebol é o esporte mais apaixonante do mundo principalmente pela sua imprevisibilidade. Mas algumas situações de jogo se repetem tantas vezes, seja num modesto estadual no Brasil ou nas principais competições do planeta, que todos já esperam que aconteça. É quase um fatalismo.
O empate do Grêmio Prudente no final da partida que decepcionou os quase 30 mil tricolores no Maracanã é um exemplo clássico desses eventos “anunciados”. Nem tanto pela velha máxima “quem não faz leva”. A verdade é que o segundo gol tricolor demorou demais a sair e induziu o Fluminense ao vacilo fatal.
O time de Muricy sobrou no primeiro tempo ao retomar a postura ofensiva e a impressionante compactação de seus setores nas quatro vitórias antes da parada para a Copa. Taticamente, o que parece um básico 4-2-2-2 se transforma na prática em um 4-2-3-1 com a movimentação de Alan e Marquinho pelos flancos para as combinações com Mariano e Carlinhos. Outra variação é o posicionamento de Diogo como um terceiro zagueiro para liberar os laterais e a marcação mais avançada.
O plano do Prudente era bem mais simples: um 4-3-1-2 com o estreante Deyvid Sacconi na ligação e todo o time marcando atrás da linha da bola. A saída era mais fácil (ou menos complicada) pela esquerda com Marcelo Oliveira, ex-Corinthians. Até porque o Flu ocupa menos seu setor direito.
A goleada tricolor só não foi construída no primeiro tempo pela falta do ritmo de jogo que mecaniza os movimentos e uma certa displicência após o gol de Fred em jogada ensaiada na cobrança de falta de Conca pela esquerda. A noite pouco inspirada do argentino também contribuiu. Atuando praticamente como um meia central, Conca apareceu muito na área se aproveitando da movimentação de Fred, porém desperdiçou três chances cristalinas nos primeiros 45 minutos e pareceu um pouco disperso.

Flu no 4-2-2-2 que se transforma em 4-2-3-1 pela movimentação de Alan e Marquinho pelos flancos; Prudente no 4-3-1-2 com marcação atrás da linha da bola e saída pela esquerda com Marcelo Oliveira
O Flu teve o mérito de voltar para a segunda etapa com a mesma proposta. Diguinho sobrava no meio-campo com posicionamento impecável, desarmes precisos e bom passe na saída de bola. Nem o atendimento e a substituição do goleiro Márcio esfriou o time mandante, que continuou desperdiçando chances.
O jogo começou a sair do controle com as substituições. Rodriguinho entrou na vaga de Alan e não conseguiu dar sequência às jogadas pela direita, embolando muito o jogo. O Flu errava o último passe e foi cansando. Muricy deu a impressão de não confiar nos suplentes, já que a equipe definhava e ele não fez mais trocas. A chance de resolver a partida tinha passado e o time continuava atacando e se desgastando ao invés de tocar mais a bola, recolher suas linhas e administrar o resultado.
Já Toninho Cecílio adiantou seu time com as entradas dos atacantes Wanderley e Araújo nos lugares de Saconni e Willian que deram mais presença de área à equipe. Wesley, mais recuado, passou a organizar os contragolpes e aparecer na frente para concluir. Na primeira estocada do camisa onze, chute fraco para defesa de Fernando Henrique. Na segunda o contragolpe foi letal: Diogo foi batido na intermediária e a zaga se escancarou. Wesley levou a bola sozinho até bater na saída do goleiro. Parecia escrito.
Conca, que acordou na segunda etapa, ainda tentou o gol salvador, mas o chute dentro da área após mais uma boa jogada de Mariano, grande destaque tricolor, desviou na defesa. Paradoxalmente, o Fluminense foi superior em 70% do tempo, mas não mereceu o triunfo que daria a liderança do Brasileirão pelo número de vitórias.

O time de Muricy Ramalho manteve a postura na segunda etapa com Diogo mais plantado como um terceiro zagueiro para liberar os laterais; Prudente ganhou presença de área com as substituições e o recuo de Wesley melhorou a produção do meio-campo.
Como diz a velha canção, “quem sabe faz a hora”. O Flu pecou por não decidir no momento certo e os pontos perdidos em casa contra um time na zona de rebaixamento são de difícil recuperação.
Dessa vez a bola puniu Muricy e seus comandados.
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